Mauro Veríssimo
"Não posso dizer o que não sei, mas posso dizer que a amo intensamente. Minha vida, a ti pertence."
Textos

Irmãos Veríssimo

O que dizer, depois de tantos invernos, em meio a esta vastidão de poeira e solidão que nos domina?

 

Não sei lhe dizer, caro irmão. O tempo passou e, sempre que me lembro, parece que foi ontem que brincávamos como crianças adultas, sem perceber que o mundo — antes eterno para nós — nada mais era do que poeira ao vento: hoje está aqui; amanhã, talvez ninguém saiba onde encontrá-la. Assim fomos nós: vivemos o nosso momento, mas agora estamos em estradas diversas, sem saber como segue a nossa jornada chamada destino.

 

Nossa princesa continua linda e bela, a mais inteligente entre nós. É brilhante, radiante e incomparável no que diz respeito a salvar vidas; um dom, certamente, herdado de nossa querida e terna mãe, a nossa rainha. Que honrado sou por pertencer a esta família tão cativante, benevolente e bondosa com os inocentes e desprotegidos. Sou um ancião em meio a grandes heróis, nesta terra de sonhos e desilusões.

 

No entanto, sinto a sua falta, como sempre senti. Nada é pior do que ter um grande irmão em outra jornada, em outro mundo ou em outro universo. Não tenho como afirmar; posso apenas imaginar a sua morada no espaço infinito do firmamento celeste: a casa dos anjos e das pessoas do bem, que deixaram uma linda história para contar àqueles que ainda seguem a jornada terrestre. Você passou pouco tempo aqui, mas foi suficiente para deixar sua história entre nós. Por isso, fica aqui a minha homenagem a você, que o céu hoje guarda, e à nossa linda irmã, que cuida de nós dois à maneira dela, mas o faz com dedicação extrema.

 

Quanto a mim, completei mais um inverno e, como sempre, sinto-me do mesmo jeito. O luto nunca me abandonou. Sua partida prematura deixou cicatrizes que nunca se apagarão. Sei que isso é um erro, principalmente diante das coisas em que acredito, mas não consigo combater a falta que você me faz; não tenho forças. A dor é intensa e, sempre que setembro chega, o mundo se torna cinza-escuro e sem vida. Viro um fantasma em meio à multidão. O vácuo deixado por sua ausência é uma realidade que nunca nos abandonará.

 

Por isso estou aqui: para sempre lembrar o seu nome, a sua vida e a sua história. Em um planeta onde tudo se esquece com facilidade, jamais permitirei que o esqueçam. Você sempre será lembrado enquanto eu estiver aqui. E prometo, acima de tudo, que sempre protegerei nossa irmã, a nossa princesa. Ela nos segura, ela nos mantém de pé, com a força que possui.

 

Um dia nos reencontraremos, caro e querido irmão, quando nossas estradas novamente se cruzarem, ao final da via chamada destino. Imagino a festa do reencontro, a família novamente reunida. É um sonho que cultivo há muitas datas, sobretudo nos setembros que retornam a cada ano.

Tenho fé e esperança de que exista uma estância superior que coordene todas as jornadas da humanidade, assim como a nossa; e de que sempre haverá a grande festa, a reunião daqueles que fizeram um bom caminho e que terão, como prêmio, o grande reencontro. Assim como nossos ancestrais que já fizeram a viagem, assim como você, que nos aguardam do outro lado. Assim se desenha a minha esperança.

 

Enquanto isso, faço a ti a minha homenagem; à nossa irmã, a minha reverência; aos meus pais, a minha gratidão eterna por tudo o que fizeram por nós. Jamais deixarei de seguir o meu caminho com honra, paz e simplicidade. E jamais permitirei que um dia eu te esqueça. Enquanto eu respirar, sempre estarás presente em minha vida, em nossa história... “Bad Boys” para sempre...

Mauro Veríssimo
Enviado por Mauro Veríssimo em 18/09/2022
Alterado em 06/10/2026
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Mauro Veríssimo
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