O Homem e o Universo!
Imaginar que moramos na Via Láctea, uma galáxia imensa, com algo entre 100 e 400 bilhões de estrelas. Muitas delas possuem planetas, e esses sistemas podem incluir luas e outros corpos celestes. Basta lembrar que Júpiter possui mais de uma centena de luas reconhecidas. E, além da imagem de uma galáxia, há bilhões de outras, maiores ou menores, no universo observável!
Sim! No universo observável, astrônomos e divulgadores científicos como Carl Sagan e Neil deGrasse Tyson nos convidam a pensar na possibilidade de que o universo que conhecemos seja apenas um entre muitos. Essa ideia é chamada de multiverso: uma hipótese cosmológica fascinante, ainda especulativa e sem confirmação observacional.
Quem conheceu a série Cosmos, apresentada por Carl Sagan, lembra o quanto ela marcou a divulgação científica ao tornar os mistérios do universo mais didáticos e acessíveis. Sou fã de Sagan e de Tyson e admiro a forma como ambos despertam a curiosidade pelo cosmo.
Pois bem, voltando ao nosso quintal: percebe como somos pequenos diante do que existe à nossa volta? E como, ao mesmo tempo, somos imensamente grandes em relação a bactérias, vírus e tantos outros seres microscópicos?
Gigantes e minúsculos ao mesmo tempo. Parece engraçado, mas somos apenas uma entre incontáveis formas de vida no que chamamos de lar. Somos mais de oito bilhões de seres humanos! O “Crescei e multiplicai” foi seguido literalmente. Desculpe a brincadeira, mas todo esse pensamento serve para dizer o seguinte:
— Somos um entre mais de oito bilhões de pessoas que habitam um planeta, a Terra, ao lado de outros sete planetas que orbitam uma estrela. Esse conjunto forma um sistema planetário que, junto a bilhões de outros sistemas, compõe uma galáxia; e nossa galáxia é apenas uma entre bilhões no universo observável. Há, ainda, hipóteses sobre a existência de outros universos, com suas respectivas galáxias, estrelas, planetas, satélites e tantos outros corpos celestes.
— Então, dessa forma, por que eu tenho de ser melhor do que você ou você melhor do que eu?
— Por que aquilo que eu faço, escrevo, sinto e falo tem de ser mais bem avaliado, sem estudo prévio, do que as mesmas coisas que você faz, escreve, sente e fala? E vice-versa.
— Por que eu tenho de estar irredutivelmente certo e você errado, ou você com a razão e eu não?
— Por fim, por que a arrogância, a prepotência e o individualismo humanos fazem com que sejamos egoístas a ponto de querermos ser sempre o centro de tudo, em vez de revezar esse posto com os outros, como deveria ser?
Honestamente, vejo a vida à nossa volta e, a cada instante, pergunto se não peguei o caminho errado e caí neste planeta por engano; pois tudo o que acredito ser o certo parece errado, e o errado, certo, nos dias de hoje. Emissoras de rádio e televisão despejam conteúdos pútridos diariamente, degenerando uma sociedade já estagnada e fragilizada pela falta de valores, mentores e grandes líderes capazes de nos guiar a um ambiente mais humano, mais digno, em que todos possam ser um e um possa ser todos!
Que cada um possa fazer a sua parte como quiser, mas que sempre enxergue a possibilidade do outro; que todos possam ver o pôr do sol da maneira que lhes pareça mais conveniente, sem ofuscar a visão de quem está ao lado. Seria tão difícil imaginar um horizonte de eventos dessa forma?
Acredito na possibilidade de mudarmos, pois temos de mudar nossos pensamentos, valores e atitudes! Estamos chegando a um ponto em que o caos poderá reinar de tal forma entre as pessoas que passaremos a viver em completa selvageria e irracionalidade, sob o risco de destruir a nós mesmos e a outras formas de vida, já que, infelizmente, para matar, o ser humano tem uma mente fértil.
Somos grandes o suficiente para construir nosso universo, se pensarmos grande e pensarmos juntos. Até um vírus alcança seu efeito ao encontrar um hospedeiro, pela ação coordenada de seus processos biológicos. É vergonhoso imaginar que nós, Homo sapiens, não consigamos fazer algo semelhante — e nem precisamos de um hospedeiro para isso! Necessitamos apenas de nos unir, pensar em comum e nos ajudar, vivendo e respeitando aquilo em que acreditamos, sem desacreditar o outro, para o bem maior da humanidade e do universo que contemplamos.