Suicida, Eu?
Uma bela ponte, um rio que corre, um brilho radiante,
A natureza em sua viva forma de ser e existir,
O amor, que vem e vai em suas inúmeras formas,
O canto de quem veio, mas não pode ficar,
A vida é muito breve, não há como aqui estar.
A mente é bela quando fértil,
No entanto, torna-se sombria quando está vazia,
Como um coração que deixou de bater,
Pois o amor nele acabou, e a esperança o deixou.
No momento, não sei se sou fértil ou sombrio,
Mas estou nessa encruzilhada, aqui nesta ponte,
Tentando juntar os cacos da vida que criei,
Retornando à minha origem para entender
O quanto a humanidade pode ser crua e rude,
E como podemos nos martirizar e sacrificar
Por nada mais do que respostas impossíveis
Há perguntas muito enraizadas na mente.
Vejo os pássaros no céu: o voo é tão lindo!
Os peixes no rio, a bailar — tudo é realmente fascinante!
O vento na copa das árvores é um sussurro leve no rosto,
E a luz do sol, que queima a mente, o corpo e o espírito,
Tentam purificar o que está moribundo,
Lutam para trazer de volta à vida
O prazer perdido de brincar de ser feliz.
Não sei o que acontece com o mundo, com a vida em si;
Apenas sinto uma raiva incontida e descontrolada,
E que deseja explodir num choro sem lágrimas,
Para não me deixar derrubar pelos sentimentos
Que poderiam me trazer de volta ao ninho,
Ao berço do nascimento.
Será que vale a pena pular desta ponte e morrer?
Só para fugir desse desespero mental que,
Na realidade, tiram todas as esperanças de mim?
Por que não entendo a realidade da minha existência?
Estou confuso, angustiado, ansioso e sonolento;
A vida que aflora à minha volta não consegue me conter.
Finalmente, as lágrimas começam a descer pelo rosto,
Desejo que um milagre aconteça,
Para que eu possa me entender e compreender o meu dilema:
O de ser feliz e fazer feliz quem eu quero que seja feliz!
Não adianta alcançar a felicidade diante de tanta tristeza,
Fenômeno que vejo em todo rosto à minha volta;
Em cada face, uma dor, um temor, um rancor — o medo impera,
Como se paz, simplicidade e amor estivessem exilados,
Entes sagrados que há muito se foram destas terras.
Talvez o mergulho final no rio acabe com a minha dor,
Posso enfim viajar por dimensões antes não conhecidas
E vivenciar o que nunca fora vivenciado:
Uma nova aventura, um recomeço, a solução
Que a esperança deixou de me oferecer.
Um pássaro paira e pousa diante de mim, um belo beija-flor,
Olha para mim, como se soubesse meus pensamentos,
Não se move, apenas observa, sereno e despreocupado,
Num instante solene, ele alça voo pelo céu, num bailado magistral,
E entendi a mensagem: a resposta à pergunta vital.
Por que não consigo me entender comigo mesmo?
Simplesmente porque desejo o que todos desejam:
Amor, paz e simplicidade;
Honestidade, franqueza e sinceridade;
Fraternidade, fidelidade e fertilidade,
Trinômios que, juntos, são sagrados para quem os segue.
Pode parecer simples, mas esse estalo na mente foi reluzente,
Senti-me abraçado por forças que não posso reconhecer,
O beija-flor continuava a bailar, dando altas gargalhadas
Daquele humano inocente e iniciante na grande arte
De entender os segredos e mistérios do universo.
Jamais desistirei de amar e ser amado; ser feliz é um lema.
Por isso, viajarei pelas selvas de pedra da vida,
Irei cantarolar pelo caminho, pois a verdade me encontrou,
No bailado de um belo pássaro, consegui a resposta que precisava
Para entender e compreender a minha guerra interna.
Que o meu fim aconteça naturalmente, pelas leis universais.
Enquanto isso, deixarei esta ponte como símbolo
Daquilo que não posso perder e que tenho de aprender:
O valor máximo: a vida que temos.
Por isso, nunca perca a esperança no amor,
Lute pelos seus sonhos, viva a vida a cada segundo,
De forma sublime e solene,
Não perca a luta contra si mesmo,
Pois você é o seu único inimigo, se assim o quiser.
Dessa forma, poderá viver em paz, a paz que não temos,
E, em vez de se sentir isolado num quarto apertado,
Abra a janela, a mente e sorria diante do sol
E, nesse momento, perceberá que, definitivamente,
Jamais estará sozinho no universo!
Nós nunca estivemos...