O Que é Ser Humano e o Que é a Humanidade?
É interessante como a vida passa e como ficamos sem perceber seus movimentos. Em um momento, você é dono do ato principal; em outro, é um mero observador anônimo diante de todo um cenário que antes era totalmente seu.
Pelas ruas por onde passo, tenho plena certeza de que já conheci uma ou outra pessoa que cruza o meu caminho. Algumas trazem bons sentimentos; outras, nem tanto. Ainda assim, percorro meu caminho sereno e imparcial, buscando o espaço de que preciso para me entender como pessoa e como ser humano. Não é uma tarefa fácil. O que é o ser humano? O que me torna parte da espécie humana?
Seriam as atitudes que tomo, a cada escolha, para seguir a minha jornada? Seria apenas isso? O ser humano é, então, um mero seletor de opções?
Não creio que seja assim. Imaginar que o ser humano seja apenas isso é o mesmo que dizer que o oceano infinito tem apenas a função de um rio ou, até mesmo, de um córrego. Creio que sejamos muito mais; mas, se assim é, como poderemos exemplificar, de forma plena e precisa, o que somos?
Infelizmente, aprendemos a doce e triste arte de matar, muitas vezes influenciados por uma mídia viciada em violência, dor e sofrimento, na qual o sangue derramado se torna artigo de lucro fácil diante do clamor de vítimas ainda vivas, a caminho da morte. Sem contar as demais formas de violência gratuita divulgadas por todos os meios de comunicação, que mantêm a multidão presa à tela da TV ou às emissões de rádio, além dos websites, que compartilham esse material mais do que ninguém.
Acredito que haja o outro lado da moeda. Não existe apenas dor na arte de vivenciarmos nossa humanidade: há amor nessa história. É o amor que nos salva de nosso cadafalso, que nos tira do abismo e que mostra, entre tantas outras facetas, o que realmente deveríamos ser para vivenciarmos a alegria da vida humana neste planeta inestimável.
E onde vemos o amor, para que possamos demonstrar nossa humanidade?
Em cada instante em que você se sacrifica para tornar a vida de alguém um pouco melhor, ainda que seja por uma fração de segundo. Você consegue senti-lo na pele, quando essa energia emana do corpo e se transforma no ato de salvar vidas — como fazem bombeiros e voluntários, todos os dias, sem pestanejar; como fazem enfermeiras, enfermeiros, técnicos e auxiliares que lutam, a todo momento, pela vida de pacientes sob seus cuidados, numa queda de braço com a Dona Morte para ver quem vence no final. Ele também está no amor das mães pelos filhos, dos avós pelos netos e na união global em busca da paz absoluta: sem guerras, sem violência, sem caos.
Temos de compartilhar mais esse sentimento do amor, saber salvar e também aceitar ser salvo. Muitas vezes, devido ao ego, somos incapazes de aceitar que alguém nos salve nas mais diversas dimensões da vida. O indivíduo que sabe salvar e aceitar ser salvo, quando necessário, certamente é um ser humano mais pleno e está mais próximo de compreender o que é ser humano e o que é humanidade.
Por isso, seja humano: ame, ajude e aceite ajuda quando precisar. Lute pelo bem maior quando a situação o exigir, mas cesse as trincheiras tão logo o objetivo seja alcançado.
Mas, principalmente, lembre-se de que a pessoa ao seu lado também é um ser humano, tanto quanto você. Ela pode precisar de ajuda ou pode ajudá-lo a elevar-se a uma vida melhor, de formas que você sequer imaginaria. Façamos isso e, então, chegaremos ao dia em que todos os habitantes deste planeta saberão o que é ser humano e compreenderão plenamente o que é exercer a sua — a nossa — humanidade.